Política de Segurança da Informação: Diretrizes Essenciais para a Proteção de Dados
As ameaças à segurança estão em constante evolução e os requisitos de conformidade estão se tornando cada vez mais complexos. As organizações devem criar uma política abrangente de segurança da informação para cobrir ambos os desafios. Uma política de segurança da informação permite coordenar e aplicar um programa de segurança e comunicar medidas de segurança a terceiros e auditores externos.
Para ser eficaz, uma política de segurança da informação deve:
- Cobrir processos de segurança ponta a ponta em toda a organização
- Ser executável e prático
- Ser atualizado regularmente em resposta às necessidades de negócios e às ameaças em evolução
- Concentrar-se nos objetivos de negócios da sua organização.
A importância de uma política de segurança da informação
As políticas de segurança da informação podem trazer os seguintes benefícios para uma organização:
- Facilita a integridade, a disponibilidade e a confidencialidade dos dados: políticas eficazes de segurança da informação padronizam regras e processos que protegem contra vetores que ameaçam a integridade, a disponibilidade e a confidencialidade dos dados.
- Protege dados confidenciais: As políticas de segurança da informação priorizam a proteção da propriedade intelectual e de dados confidenciais, como informações de identificação pessoal (PII).
- Minimiza o risco de incidentes de segurança: Uma política de segurança da informação ajuda as organizações a definir procedimentos para identificar e mitigar vulnerabilidades e riscos. Ele também detalha respostas rápidas para minimizar danos durante um incidente de segurança.
- Executa programas de segurança em toda a organização: As políticas de segurança da informação fornecem a estrutura para operacionalizar procedimentos.
- Fornece uma declaração de segurança clara a terceiros: As políticas de segurança da informação resumem a postura de segurança da organização e explicam como a organização protege os recursos e ativos de TI. Elas facilitam a resposta rápida a solicitações de informações de terceiros por parte de clientes, parceiros e auditores.
- Ajuda a cumprir os requisitos regulamentares: A criação de uma política de segurança da informação pode ajudar as organizações a identificar lacunas de segurança relacionadas aos requisitos regulamentares e a solucioná-las.
Confira também: Segurança da informação nas empresas: guia rápido
12 elementos de uma política de segurança da informação
Uma política de segurança pode ser tão ampla quanto você desejar, desde tudo relacionado à segurança de TI à segurança de ativos físicos relacionados, mas executável em todo o seu escopo. A lista a seguir oferece algumas considerações importantes ao desenvolver uma política de segurança da informação.
1. Propósito
Primeiro indique o objetivo da política, que pode ser:
- Criar uma abordagem geral para a segurança da informação, especialmente no que diz respeito aos padrões, requisitos de segurança e melhores práticas adotadas pela organização.
- Detectar e prevenir violações de segurança da informação, como uso indevido de redes, dados, aplicativos e sistemas de computador.
- Manter a reputação da organização e defender as responsabilidades éticas e legais e a governança aplicável.
- Respeitar os direitos dos funcionários e dos clientes, incluindo como reagir a consultas e reclamações sobre não conformidade.
2. Público
Defina o público ao qual a política de segurança da informação se aplica. Você também pode especificar quais públicos estão fora do escopo da política (por exemplo, a equipe de outra unidade de negócios que gerencia a segurança separadamente pode não estar no escopo da política).
3. Objetivos de segurança da informação
Oriente sua equipe de gerenciamento para chegar a um acordo sobre objetivos bem definidos de estratégia e segurança. A segurança da informação concentra-se em três objetivos principais:
- Confidencialidade — Somente indivíduos autenticados e autorizados podem acessar dados e ativos de informação.
- Integridade — Os dados devem estar intactos, precisos e completos, e os sistemas de TI devem ser mantidos operacionais.
- Disponibilidade — Os usuários devem poder acessar informações ou sistemas quando necessário.
4. Política de autoridade e controle de acesso
- Padrão hierárquico — Um gestor sênior pode ter autoridade para decidir quais dados podem ser compartilhados e com quem. A política de segurança pode ter termos diferentes para um gerente sênior e um funcionário júnior ou contratado. A política deve delinear o nível de autoridade sobre os dados e sistemas de TI para cada função organizacional.
- Política de segurança de rede — Patches críticos e outras políticas de mitigação de ameaças são aprovadas e aplicadas. Os usuários só podem acessar redes e servidores da empresa por meio de logins exclusivos que exigem autenticação, incluindo senhas, biometria, cartões de identificação ou tokens. Você deve monitorar todos os sistemas e registrar todas as tentativas de login.
5. Classificação de dados
A política deve classificar os dados em categorias, que podem incluir “ultrassecretos”, “secretos”, “confidenciais” e “públicos”. Os objetivos para classificação de dados são:
- Para entender quais sistemas e quais operações e aplicativos afetam os dados mais confidenciais e controlados, para projetar controles de segurança adequadamente para esse hardware e software (consulte o item 6.)
- Para garantir que dados confidenciais não possam ser acessados por indivíduos com níveis de autorização mais baixos
- Para proteger dados altamente importantes e evitar medidas de segurança desnecessárias para dados sem importância.
6. Suporte e operações de dados
- As regulamentações de proteção de dados — sistemas que armazenam dados pessoais ou outros dados confidenciais — devem ser protegidas de acordo com padrões organizacionais, melhores práticas, padrões de conformidade do setor e regulamentos relevantes. A maioria dos padrões de segurança exige, no mínimo, criptografia, firewall e proteção antimalware.
- Backup de dados — Criptografe o backup de dados de acordo com as melhores práticas do setor, tanto em movimento quanto em repouso. Armazene mídias de backup com segurança ou mova o backup para um armazenamento seguro na nuvem.
- Movimentação de dados — Transfira dados apenas por meio de protocolos seguros. Criptografe qualquer informação copiada para dispositivos portáteis ou transmitida através de uma rede pública.
7. Conscientização e comportamento de segurança
Compartilhe políticas de segurança de TI com sua equipe. Realize sessões de treinamento para informar os funcionários sobre seus procedimentos e mecanismos de segurança, incluindo medidas de proteção de dados, medidas de proteção de acesso e classificação de dados confidenciais.
- Engenharia social — Dê ênfase especial aos perigos dos ataques de engenharia social (como e-mails de phishing ou solicitações de informações por telefone). Responsabilize todos os funcionários por detectar, prevenir e denunciar tais ataques.
- Política de mesa limpa — Proteja laptops com trava de cabo. Destrua documentos confidenciais que não são mais necessários. Mantenha as áreas da impressora limpas para que os documentos não caiam em mãos erradas.
- Trabalhe com o RH para definir como a Internet deve ser restrita tanto nas instalações de trabalho quanto para funcionários remotos que utilizam ativos organizacionais. Você permite YouTube, sites de mídia social, etc.? Bloqueie sites indesejados usando um proxy.
8. Política de criptografia
A criptografia envolve a codificação de dados para mantê-los inacessíveis ou ocultos de partes não autorizadas. Ela ajuda a proteger os dados armazenados em repouso e em trânsito entre locais e garante que os dados confidenciais, privados e proprietários permaneçam privados. Também pode melhorar a segurança da comunicação cliente-servidor. Uma política de criptografia ajuda as organizações a definir:
- Os dispositivos e mídias que a organização deve criptografar
- Quando a criptografia é obrigatória
- Os padrões mínimos aplicáveis ao software de criptografia escolhido.
9. Política de backup de dados
Uma política de backup de dados define regras e procedimentos para fazer cópias de backup de dados. É um componente integral da estratégia geral de proteção de dados, continuidade de negócios e recuperação de desastres. Aqui estão as principais funções de uma política de backup de dados:
- Identifica todas as informações que a organização precisa para fazer backup
- Determina a frequência dos backups, por exemplo, quando executar um backup completo inicial e quando executar backups incrementais
- Define um local de armazenamento que contém dados de backup
- Lista todos os funcionários responsáveis pelos processos de backup, por exemplo, um administrador de backup e membros da equipe de TI.
10. Responsabilidades, direitos e deveres do pessoal
Nomear funcionários para realizar análises de acesso de usuários, educação, gerenciamento de mudanças, gerenciamento de incidentes, implementação e atualizações periódicas da política de segurança. As responsabilidades devem ser claramente definidas como parte da política de segurança.
11. Benchmarks de fortalecimento do sistema
A política de segurança da informação deve fazer referência aos benchmarks de segurança que a organização usará para fortalecer sistemas de missão crítica, como os benchmarks do Center for Information Security (CIS) para Linux, Windows Server, AWS e Kubernetes.
12. Referências a regulamentos e padrões de conformidade
A última consideração essencial para uma política de segurança da informação é a incorporação de referências a regulamentos e padrões de conformidade. Isso envolve a identificação e integração de normas e regulamentações específicas que se aplicam à indústria e à região em que a organização opera. Essas referências servem como guias para garantir que a política esteja alinhada com os requisitos legais e éticos.
Ao desenvolver essa seção da política, é crucial abordar:
- Requisitos legais: Identifique as leis e regulamentos locais e internacionais que afetam a segurança da informação na sua indústria. Por exemplo, o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) na União Europeia ou a Lei de Proteção de Informações Pessoais (LGPD) no Brasil.
- Padrões do setor: Faça referência a padrões de segurança reconhecidos na indústria, como ISO/IEC 27001 para gestão da segurança da informação, PCI DSS para segurança de dados de cartões de pagamento ou HIPAA para informações de saúde.
- Normas internas: Se a organização desenvolveu padrões internos de segurança, inclua essas referências para garantir consistência e conformidade com as práticas estabelecidas pela própria empresa.
Confira também: LGPD: O que é considerado violação?
9 melhores práticas para políticas de segurança da informação bem-sucedidas
- Classificação de informações e dados — ajuda a organização a compreender o valor de seus dados, determinar se os dados estão em risco e implementar controles para mitigar riscos
- Desenvolvedores, seguranças e operadores de TI — devem trabalhar juntos para atender aos requisitos de conformidade e segurança. A falta de cooperação entre departamentos pode levar a erros de configuração. As equipes que trabalham juntas em um modelo DevSecOps podem coordenar a avaliação e identificação de riscos durante todo o ciclo de vida de desenvolvimento de software para reduzir os riscos.
- Plano de resposta a incidentes de segurança — ajuda a iniciar ações de remediação apropriadas durante incidentes de segurança. Uma estratégia de incidentes de segurança fornece uma diretriz, que inclui resposta inicial às ameaças, identificação de prioridades e soluções apropriadas.
- Política de SaaS e nuvem — fornece à organização diretrizes claras de adoção de nuvem e SaaS, que podem fornecer a base para um ecossistema de nuvem unificado e padrões de configuração, especialmente para ambientes de desenvolvimento. Esta política pode ajudar a mitigar complicações ineficazes e o mau uso dos recursos da nuvem.
- Políticas de uso aceitável (AUPs) — ajudam a prevenir violações de dados que ocorrem através do uso indevido dos recursos da empresa. AUPs transparentes ajudam a manter todo o pessoal alinhado com o uso adequado dos recursos tecnológicos da empresa.
- Regulamentações de gerenciamento de identidade e acesso (IAM) — permitem que os administradores de TI autorizem sistemas e aplicativos para as pessoas certas e que os funcionários saibam como usar e criar senhas de maneira segura. Uma política de senha simples pode reduzir os riscos de identidade e acesso.
- Política de segurança de dados — descreve as operações técnicas da organização e os padrões de uso aceitáveis de acordo com todos os regulamentos de governança e conformidade aplicáveis.
- Regulamentações de privacidade – regulamentações impostas pelo governo, como a LGPD, protegem a privacidade dos usuários finais. As organizações que não protegem a privacidade dos seus utilizadores correm o risco de multas e penalidades e, em alguns casos, de ações judiciais.
- Dispositivos pessoais e móveis — Hoje em dia, a maioria das organizações migrou os processos de negócios para a nuvem. As empresas que permitem que os funcionários acessem os ativos de software da empresa de qualquer local e de qualquer dispositivo correm o risco de introduzir vulnerabilidades através de dispositivos pessoais, como laptops e smartphones. A criação de uma política para a segurança adequada dos dispositivos pessoais pode ajudar a prevenir a exposição a ameaças através de ativos de propriedade dos funcionários.
Confira também: Como funciona a segurança da informação nos celulares?
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